A entidade patronal PIETEC Cortiças, S. A. pertencente ao Grupo Oneo - Diam, comunicou, na semana passada, a intenção de despedimento coletivo de 41 trabalhadores e, nessa sequência, já dispensou temporariamente cerca de metade desses trabalhadores de prestar serviço na empresa.

A empresa, há cerca de dois anos, tem vindo a querer "obrigar" sob ameaças aos trabalhadores, trabalhar em regime de laboração continua (cinco turnos rotativos), mas sempre sem sucesso face à firme resposta dada por todos os trabalhadores, que se recusam, atentos os horários de trabalhos acordados nos respetivos contratos, a trabalhar em regime de laboração contínua. Deste modo e passando à prática as ameaças anteriormente feitas aos trabalhadores para impor essa alteração da prestação de trabalho e respetivos horários, a solução encontrada pela administração da empresa para conseguir a todo o custo e a qualquer preço as suas pretensões foi "arrumar" com os trabalhadores, despedindo-os, alegando que a empresa vai alterar a sua forma de produção e que consequentemente dá-se como inevitável a extinção de 41 postos de trabalho (em muitos casos de marido e mulher, noutros casos de trabalhadores com categorias que até, em breve tempo, segundo dizem, pretendem aumentar em número de postos de trabalho).

Ora, sabemos bem que a estratégia da empresa é mais tarde voltar a contratar outros 41 ou mais trabalhadores com contratos que os obriguem a trabalhar em regime de laboração continua, porque em reunião entre administração da empresa e os representantes dos trabalhadores após a comunicação feita por escrito aos trabalhadores da intenção da empresa em despedir, foi proposto pelos representantes dos trabalhadores em alternativa ao despedimento a hipótese da reintegração dos 41 trabalhadores que estavam dispostos a alterar a sua categoria profissional para outra que fosse ao encontro das necessidades da empresa, sendo que a resposta dada pela administração foi "positiva", desde que os trabalhadores aceitassem assinar um documento de concordância em passarem a trabalhar em regime de laboração contínua.

Até porque, como decorre do PIN (Projeto de Interesse Nacional) negociado com vários Ministérios da Administração Pública, a empresa comunicou ao Estado que pretende e quer aumentar a capacidade produtiva bem como aumentar (e muito) os postos de trabalho (!). A própria empresa já comunicou aos representantes dos trabalhadores e aos próprios que não procederá a quaisquer despedimentos se os trabalhadores aceitarem "pacificamente" trabalhar em regime de laboração contínua de cinco turnos rotativos. (!). Não só os trabalhadores estão a ser enganados, como o próprio Estado também se está a deixar ser enganado.

Face a tudo isto, para amanhã está marcada uma ação de luta com os trabalhadores à porta da empresa e haverá plenários no sentido de decidir quais as novas formas de luta, porque é intenção dos trabalhadores manter e intensificar a luta à porta da empresa até que consigam negociar com a administração da empresa a reintegração dos trabalhadores em outros postos de trabalho que a empresa tem necessidade mas sem laboração contínua, ou seja, nos horários acordados nos contratos de trabalho celebrados há muitos anos com a empresa.

 Pel'A Direcção