O secretário-geral da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP) revelou no passado dia 26 de Abril que já foi apresentada aos patrões da indústria corticeira as propostas que reivindicam um aumento salarial "imediato" de 40 euros e o fim dos contratos precários para os trabalhadores do setor.

No final de um plenário com cerca de 70 dos 140 trabalhadores da empresa Pietec, em Santa Maria da Feira, Arménio Carlos afirmou que as reivindicações entregues à Associação Portuguesa da Cortiça (APCOR) insistem também na necessidade de impedir a implementação de sistemas de laboração contínua enquanto "artifício" em marcha para reduzir os rendimentos salariais dos funcionários.

"O setor continua a exportar de uma forma muito significativa - mais de mil milhões de euros - e tem um volume de negócios e lucros elevados, mas os trabalhadores estão com os mesmos salários do ano passado", declara o líder da intersindical.

"A proposta apresentada pela CGTP e pelo Sindicato dos Corticeiros é a atualização imediata dos salários num mínimo de 40 euros", acrescenta.

Quanto à precariedade, Arménio Carlos diz que a própria Pietec é "exemplo de uma empresa que tem algumas dezenas de trabalhadores com vínculos precários e que regularmente os recruta para desenvolver atividade permanente, com a agravante de que os dispensa quando termina o prazo legal [do contrato] e, passados alguns dias, os contrata novamente para desenvolverem a mesma atividade profissional".

"Isto é uma subversão objetiva da lei e é preciso punir exemplarmente as empresas que recorrem a este tipo de funcionamento - que já afeta 33% dos trabalhadores do setor privado", realça.

O secretário-geral da CGTP quer ainda o aumento dos subsídios de turno, 25 dias de férias e o fim da discriminação entre trabalhadores, já que "o setor corticeiro tem situações de aplicação de diuturnidades ao pessoal administrativo, excluindo o da produção" de usufruir dos mesmos benefícios.

Ainda no que se refere em concreto à Pietec, onde a laboração envolve três turnos diários, o Sindicato dos Operários Corticeiros do Norte lamenta que, uma vez adquirida pelo grupo multinacional Diam, a empresa da Feira ofereça aos seus funcionários piores condições laborais e remuneratórias do que as praticadas nas unidades que a marca detém noutros países.

"A primeira coisa que [a Diam] fez foi introduzir laboração contínua, sete dias por semana, 24 horas por dia, e também se deteta que quase 50% dos trabalhadores têm vínculos precários, ao mês e ao ano", diz Alírio Martins, da direção do Sindicato.

"Os camionistas que vão e vêm de Espanha também reclamam que lá há uma realidade diferente em termos de situação laboral e remuneração, e sentem-se injustiçados", explica.

Além dessas questões, os participantes no plenário desta manhã terão ainda relatado ao Sindicato problemas de higiéne e segurança no trabalho, como a presença de ratos junto aos cacifos e áreas de laboração com temperaturas "que chegam aos 50 graus".

"Isto é um atentado à saúde dos trabalhadores e uma demonstração da inoperância da ACT [Autoridade para as Condições do Trabalho], que já foi chamada a intervir, mas ainda não o fez", defende Arménio Carlos.

Contactada pela Lusa, fonte oficial da Pietec afirma que a empresa "cumpre e cumprirá sempre as tabelas salariais acordadas no âmbito da APCOR, que, por seu lado, tem dialogado com as organizações sindicais e representativas dos trabalhadores".

A mesma fonte adianta que "a empresa tem em curso um programa de melhoria substancial das condições de laboração, num investimento significativo que está a ser feito em diálogo com os trabalhadores e em articulação com as autoridades".

Quanto ao formato dos contratos laborais vigentes, a Pietec diz seguir "uma política ativa de retenção de talento, apostando sempre que possível em relacionamentos laborais de longo prazo".

 

Fonte Lusa